ANAC autoriza pilotos de companhias aéreas a assumirem os controles de aviões da Embraer durante voos de avaliação

 

Nova regulamentação permite que pilotos de empresas clientes participem mais diretamente dos voos de demonstração e aceitação das aeronaves produzidas pela fabricante brasileira

Uma mudança recente nas regras da aviação civil brasileira vai permitir que pilotos de companhias aéreas clientes da Embraer assumam os controles das aeronaves durante determinados voos de demonstração e aceitação. A medida foi regulamentada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e estabelece uma série de requisitos para garantir que a participação ocorra dentro de padrões específicos de segurança.

A autorização é especialmente relevante para o processo de entrega de novas aeronaves. Antes de receber um avião, a companhia aérea pode participar de voos de avaliação para verificar o comportamento da aeronave, seus sistemas e características operacionais.

Pelas novas regras, porém, o piloto do cliente não poderá simplesmente assumir o comando da aeronave como comandante em qualquer situação.

Nos chamados voos de aceitação, por exemplo, o piloto precisa estar habilitado para aquele modelo em seu país de origem e poderá atuar como segundo em comando sem a necessidade de convalidação de sua licença brasileira. O comando permanece com um profissional da Embraer devidamente qualificado.

Experiência mínima

A regulamentação também estabelece requisitos diferentes de acordo com o tipo de aeronave.

Para determinados aviões executivos que não sejam derivados de modelos comerciais, são exigidas pelo menos 200 horas de voo. Já para aeronaves comerciais ou executivas derivadas de projetos comerciais, o requisito chega a 1.500 horas de voo para pilotos que ainda não possuem habilitação específica no modelo.

Durante os voos de demonstração, a Embraer deverá manter uma tripulação completa e contar com um instrutor no posto de pilotagem.

A operação também terá limitações relacionadas às condições meteorológicas, horário e infraestrutura aeroportuária.

Os voos deverão ser realizados durante o dia e sob condições visuais. Além disso, determinados aeroportos de grande movimento, como Congonhas, Santos Dumont e Guarulhos, não poderão ser utilizados nessas operações.

Por que a mudança é importante?

Embora possa parecer uma alteração técnica, a nova regulamentação aproxima ainda mais o cliente do processo de avaliação de uma aeronave.

Para uma companhia aérea, receber um avião novo representa um investimento milionário. Ter seus próprios pilotos participando dos voos de avaliação permite uma análise mais próxima da experiência operacional que será encontrada posteriormente na rotina da empresa.

Ao mesmo tempo, a ANAC estabeleceu mecanismos para que essa participação não transforme um voo de demonstração ou aceitação em uma operação comercial convencional.

A Embraer também terá responsabilidades adicionais, incluindo a conferência da documentação dos pilotos, manutenção dos registros e gerenciamento dos riscos relacionados à operação dentro de seu sistema de segurança operacional.

A nova regra representa, portanto, um equilíbrio entre dois interesses: permitir que o futuro operador conheça melhor a aeronave antes de recebê-la e preservar os elevados níveis de segurança exigidos pela aviação.

Fonte: ANAC / Aero Magazine / AEROIN.

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